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A DESIGUALDADE NA VIDA – Capítulo #11 DE 12

11 – Por que são os homens sujeitos à desigualdade na vida?

Onde a razão de nascerem alguns destinados a uma instalação faustosa no mundo e outros a arrastarem as cadeias da vergonha e da miséria que esse mesmo mundo lhes impõe? Se, são todos filhos de um mesmo Pai, porque só alguns são tratados com amor e carinho e o resto com crueldade e desprezo?

Três explicações são apresentadas pela Ciência e pela Religião.

 A primeira deriva-se da Criação Especial, a segunda da Hereditariedade ou Atavismo, e a terceira da Reencarnação. Vejamos os fatos arguidos em cada uma destas hipóteses e examinemos qual delas satisfaz melhor à razão e à lógica.

Primeira explicação: A Criação Especial – onde, segundo uma Vontade Superior, cujos desígnios escapam à nossa compreensão (tornando-nos impossibilitados de intervir no nosso próprio destino), é criada uma alma para cada corpo.

Segunda explicação: A Hereditariedade – que faz de cada homem uma vítima fatal da herança biológica dos seus antepassados e, portanto, sujeita à mesma… impotência de dirigir os seus destinos.

Terceira explicação: A Reencarnação – segundo a qual cada homem faz na sua vida atual, não só a colheita do que semeou na existência passada, como uma nova semeadura para o seu futuro, destino.

A primeira explicação é uma negação peremptória da Justiça Divina, eterna e infalível, pois esta é criança de um caráter relativo à alma com que foi presenteada.

Se devido à posse desta alma (que ninguém escolhe), lhe couber uma vida de torturas e privações, terá a criatura de se conformar com a sua sorte.

No caso contrário, se a pessoa foi contemplada com uma existência de felicidades materiais e morais também, não a solicitou, nem nada fez para merecê-la.

No caso em que a vida seja dada para que a alma se eduque pelo valor e pela experiência, como se explica que um corpo nasça e morra sem ter aproveitado a única oportunidade que lhe ofereceram para isto?

Esta explicação não resiste por muito tempo às investigações do raciocínio porque este, no fim de todas elas é obrigado a reconhecer as injustiças da criação, fazendo do homem o único ser sem finalidades e sem progresso.

Hoje que a evolução está considerada como uma lei universal, não seria momento próprio para isentar a criatura humana, que sem um “passado” responsável pelas suas venturas ou desditas, não teria um “futuro” compensador, obrigando-o a increpar o Criador, como um déspota arbitrário e inconsciente. No mínimo a hipótese da Criação Especial, tornaria toda a humanidade descrente.

A segunda explicação – a Hereditariedade – não é menos inconsistente. Ela pode servir para explicar, algumas vezes, a transmissibilidade das qualidades físicas dos pais nos filhos, mas não é capaz de sustentar esta explicação quanto à qualidade de caráter, nem dar as razões porque o filho de um justo pode ser um perverso e o de um sábio, um idiota.

Darwin, com a sua teoria, tangenciou esta explicação, mas deixou inexplicável a procedência das virtudes sociais através da luta pela vida.

A hereditariedade satisfaria, no máximo, às pesquisas científicas sob o ponto de vista animal da criação.

Assim, por exemplo, ela explica que o alcoólatra transmite à sua prole, organismos predispostos à aquisição das mais horríveis moléstias, porém é omissa quanto aos motivos porque a tais desventuradas crianças é reservada a herança infeliz deste legado.

Que conceitos farão de Deus, os desgraçados que trouxeram ao mundo os estigmas de tal degenerescência? Ficarão conformados com a explicação da hereditariedade?

A terceira explicação diz que cada alma humana inicia sua carreira no mundo, num estado embrionário de conhecimento e saber. Pelo que sofre e pelo que goza numa existência, desenvolve as suas faculdades morais e intelectuais construindo destarte o caráter de que é portadora em cada nascimento. Este caráter traz sempre o limite máximo de evolução alcançado na sua última encarnação, isto é, na sua derradeira existência.

Todas as virtudes e qualidades nobres que acentuam a distinção íntima dessa alma, são recompensas e vitórias alcançadas à custa de grandes esforços e de perigosas lutas.

Do mesmo modo, defeitos e fraquezas, vícios e crimes, constituem os primeiros passos no caminho do progresso e todos, porém, começarão lutando e acabarão vencendo, de modo a cada um ser lícito recolher o que plantou.

Pela explicação da Reencarnação, a felicidade é o resultado de uma conduta anterior, exemplar, e o sofrimento indica o corretivo de uma existência pecaminosa.

A criança que morre, antes de se desenvolver, salda uma dívida que contraiu no passado e volta depois para continuar as experiências. O corpo de um idiota, de um estropiado, seja pela intemperança dos pais ou por motivos outros aparentemente inexplicáveis, é destinado a receber uma alma que, pelo martírio e pelo sofrimento, aprenderá a corrigir a sua vida anterior. E assim, ininterruptamente vai-se fazendo a ascensão progressiva do homem até Deus.

Em breve próximo capítulo.

Série de 12 capítulos pertencentes ao artigo “Mensagem de Dhâranâ ao povo brasileiro”, escrito pelo Professor Henrique José de Souza, em 1925, na revista Dhâranâ n° 0.

 São palavras de uma riqueza imensurável, trazendo luz e esperança para os dias de hoje.

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