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Os Ciclos

Cada momento de nossa vida, cada ciclo de 1/10, 1/100, 1/1000 ou talvez menos de um segundo, encerra um estado particular do nosso Eu. Modificamo-nos a cada instante, e os acontecimentos se sucedem em nosso organismo e em nossa mente...

OS CICLOS

 
 

 

 

 

 

 

 

Por Henrique José de Souza

Dizia Michelet que os acontecimentos políticos da Inglaterra, os bons ou maus governos dependem dos ventos que sopram da Índia. Conforme estes, tal é o tempo, e o tempo influe sobre as culturas e colheitas de algodão. E se estas são maiores, ou menores, progridem ou regridem as atividades têxteis de Manchester, movimenta-se o mercado de valores, há ou não pânicos de bolsa.

Daí, maior ou menor riqueza, progresso ou retardamento. De tudo isso deriva a política, com as suas lutas e perturbações. 
A nossa Terra não é uma entidade sideral separada do resto do Cosmos por uma campânula isolante. E nós, muito menos do chão que pisamos, do ar que respiramos, das energias que nos envolvem, que não encontram obstáculos materiais que não atravessem, e sobre os quais não influam.
As enchentes ou as secas, aqui ou ali, provocadas por manchas solares, por conjunções planetárias, por posições desse ou daquele astro no céu; marés extraordinárias de tais ou quais, tipos; enfim, uma série de influências marcam períodos de riqueza ou de miséria. Em fases de riqueza os governos são “bons” e os governantes exaltados pela posteridade de períodos mais magros. A intuição popular sabe que se devem semear certas plantas em determinadas luas ( a própria ciência já constatou isso); pôr pintos de acordo com as fases desse planeta. E a medicina já verificou, por observação, que as manchas solares, periódicas e cíclicas, afetam o estado patológico, particularmente dos doentes mentais. Verificou-se também que as mesmas coincidem com as fases de nervosismo e agitação que se objetivam em atividades políticas e dissídios nacionais e internacionais.
A Característica mais típica do metabolismo feminino coincide, em média, exatamente com as fases da lua. Os cometas produzem na terra perturbações electromagnéticas que trazem portanto, política, social e moral.


Toda essa interdependência das entidades siderais é reconhecida pela ciência positiva e verificada objetivamente.
Sabemos que a analogia e a indução constituem processos de conhecimento. Por que, então, analogias, coincidências, ou, melhor, causalidades e induções perfeitas, não são aceitas por certos setores da própria ciência e pela religião, conquanto sejam
verificáveis a cada passo? Só talvez por que são proclamadas pela Teosofia, pela Tradição Oculta, pela Sabedoria Iniciática das Idades?
O ano de Vênus, que equivale a oito anos da Terra, é o tempo que responde estatisticamente ao período da gestação humana. Da mesma maneira, à fase da puberdade média relaciona-se o ano de Júpiter. Por que negar a autenticidade destas  observações? Por que negar a astrologia, a assinatura dos astros na personalidade por ocasião do seu nascimento, assinatura que lhe imprime caracteres, maneiras de ser, aspectos exteriores e interiores, ciência que consiste em analisar o indivíduo pela posição do céu no momento em que ele veia à luz, predizendo-lhe, inclusive o futuro:Serão, por ventura, neutros os corpos siderais? Serão, por acaso, sem qualquer expressão no que nos diz respeito? Enfeites no céu para galardão da nossa vista nas noites de luar? “ Bibelots” inermes?
Todas as coisas do Universo estão unidas entre si, e se afetam reciprocamente.Não há vácuo, não há solução de continuidade, não há separação; tudo é contínuo em todas as direções. As distâncias existem apenas entre aspectos diferenciados de
substância única em locais do espaço pleno. Por que não admitir a evidência dessa simbiose cósmica?
O grande vidente do século passado, Emanuel Swedenborg já escrevera: “A lei mais essencial da Natureza é a da vibração. Um ponto morto, um ponto imóvel, é absolutamente impossível dentro de nosso sistema. Os movimentos sutis que chamamos vibrações ou ondas; os mais vigorosos, que denominamos ondulações; as trajetórias dos planetas, que designamos por órbitas; as épocas da história, que conhecemos como ciclos; tudo é movimento ondulatório, cíclico, de ondas no ar, no éter, na água, na terra, por nebulosas, pensamentos, emoções, e tudo quanto é imaginado.”


Ora , vemos que os corpos siderais se movimentam numa ritmo perfeito. Ritmos e ritmos se entremesclam nos confins do Ovo sem limites do Universo. A nossa terra gira em torno de seu eixo num período aproximado de 24 horas, metade de 12 horas de luz e metade de 12 horas de trevas. De dia, a vida na terra caracteriza-se por umas tantas atividades da Natureza diferentes das que têm lugar durante o período de obscurecimento. O homem vive, durante o dia, em estado de vigília, com seu corpo ativo, criando objetivamente e, de noite, dormindo, com a vida de relação recolhida, mas em grande atividade psíquica. Á noite, a Lua exerce suas influências mais diretamente – as paixões se reacendem nas almas, os cães lhe ladram e as corujas piam como maus augúrios. Um movimento cíclico... Medimos daí o tempo, e como o tempo não passa de uma “sucessão panorâmica de estados de consciência”, e como cada panorama sucede ao anterior com uma rapidez quase instantânea, dividimos o ciclo de 24 horas em partes cada vez menores. Desejamos chegar a um termo que pudéssemos isolar momentaneamente, agarrar um desses panoramas, e capturarmos o presente, no nosso estado, sempre fugidio, pois ao tentarmos visiona-lo, já ele descambou para o passado, e o momento imediato se atualizou. E assim, o presente para nós é apenas a intercessão entre o futuro e a reminiscência. 


Tomemos uma fração de tempo para desenvolvermos o nosso raciocínio: o décimo de segundo. Um décimo de segundo é um pequeno ciclo de nossa vida. Que pensamentos nos brotam na mente? Ora de esperanças, ora de desespero; ora de atrevimento, ora de timidez; decisões num instante, tergiversações imediatamente. È um ciclo pequeno, e no entanto, fundamental em nossa existência. Um só pensamento quantas vezes não decide de toda uma vida? Quem o pode negar? Quão importante é ele! A soma total de ciclos de 1/10, 1/100 e 1/1000 de segundo, não constituí toda uma vida? Humana ou de um Universo?Dez ciclos de 1/10 de segundo formam um maior, de um segundo. Sessenta segundos, um minuto; sessenta minutos, uma hora, e doze horas, um dia; e mais doze horas, ou vinte e quatro horas, um dia e uma noite, ou um dia completo. Um minuto tem sessenta segundos, uma hora, sessenta minutos, e portanto, 3.600 segundos; e um dia de doze horas, 43.200 segundos. E aí encontramos um nódulo básico da cronologia brahmânica, com a qual se medem os ciclos cósmicos, o nódulo 432. Este é um número “sagrado” um número chave para o segredo da lei dos ciclos, lei que a ciência positiva não aceita, não sabemos porque, pois ela é matemática.365 dias formam um ano de doze meses; cem anos, um século. Dez séculos, mil anos. 2160 anos, o tempo médio aproximadamente em que o ponto vernal, ou equinócio da primavera coincide com uma determinada constelação zodiacal.


Estas constelações influenciam ou não a vida da terra? Não marcam a primavera, fenômeno visível e perceptível pelos nossos órgãos dos sentidos em contato com a Natureza, que nessa ocasião desabrocha ciclicamente? E por que não aceitar outras influências não percebidas pela consciência desatenta, provindas de cada uma dessas constelações? A indução, por ventura, repetimos, não é uma lei do conhecimento, e não serve como tal, quando se não possuem elementos de observação empírica? E quando alguém possui, por que negá-lo? Enquanto os óticos ainda não haviam descoberto o microscópio, quem ousava falar em micróbios? E contudo eles sempre existiram, e os Adeptos da Sabedoria Iniciática das Idades deles já falavam, porque sabiam da sua existência como “devatas”.


Doze voltas completas, ou seja a passagem dos doze signos zodiacais pelo ponto vernal, marcando a primavera, constituem um ciclo cósmico maior, de 25.920 anos, mas que verdadeiramente é de 27.000 anos, segundo ensinam as tradições esotéricas. É o ciclo da precessão dos equinócios, o ano trópico.
Quatro desses ciclos, ou 108.000 anos, correspondem ao ciclo do periélio, e quatro ciclos do periélio formam outro muito maior de 432.000 anos, onde aparece pujante o nódulo 432, marcando uma “Kaly-Yuga”, ou Idade Negra segundo a cronologia bramânica.


A base desse nódulo 432, cujos algarismos somados dão o número 9, que no Taro simboliza o homem perfeito, o desvendador de todos os segredos da Natureza, o Adepto, ou iluminado, descobrem-se os ciclos da referida cronologia, que nesta mensagem deixamos de desenvolver, conduzindo o leitor à “Doutrina Secreta” ( H. P. Blavatsky) ou a Mario Roso de Luna (Conferências Teosóficas na América do Sul).Os ciclos podem ser medidos com um relógio, feito com peças de metal. Sãoirrefragáveis, pois representam tempos certos e marcados dentro de uma Eternidade.


Cada momento de nossa vida, cada ciclo de 1/10, 1/100, 1/1000 ou talvez menos de um segundo, encerra um estado particular do nosso Eu. Modificamo-nos a cada instante, e os acontecimentos se sucedem em nosso organismo e em nossa mente. Em 7 anos nosso corpo já é outro, com outras células; em 1/1o de segundo, a nossa mente já fulgura ou se entenebrece com novos pensamentos. Manifestam-se, portanto, entidades novas. Uma célula é uma entidade biológica. Um pensamento é uma entidade psicomental.
E o progresso da Humanidade, a sua evolução, se processa assim, por ciclos de1/10 ou menos de segundo, até milhões, bilhões e trilhões de anos; até o término de 100 anos de Brahmã, um Grande Manvantara, ou período de manifestação de um sistema solar.
Este movimento evolutivo não para, e de acordo com a Lei dos Ciclos, surgem períodos de levantamento e rebaixamento, de progresso e retrocesso, num desenvolvimento que se simboliza pela espira, onde em cada volta há uma fase de ascensão e outra de descenso, indo, porém, sempre o conjunto para cima. A evolução humana e de toda natureza obedece, pois, a uma lei cíclica.

Cíclica é nossa vida; gestação , nascimento, infância e puberdade, juventude, mocidade, madureza, velhice e morte. Na primeira, infância, desabrocham os sentidos cria-se, pouco a pouco, a mente, onde cada pensamento, cada imagem é uma entidade viva que se manifesta dentro de nós, mente que jamais cessa sua elaboração, porque estamos continuamente criando formas mentais, sejam elas boas ou más. Na puberdade, adquirimos o poder de procriar e novas entidades físicas e psíquicas se apresentam. O homem é, então, completamente diferente do ciclo anterior. Até na sua morfologia. Na juventude, as faculdades internas se desenvolvem ainda mais, para que na madureza atinjamos a plenitude da consciência; na velhice, essas mesmas faculdades se vão debilitando, em função do enfraquecimento da sua base física, ate que pela morte são libertadas do corpo, perdendo seu poderoso e estupendo órgão de ação e experiência no mundo terreno em que vivemos.


Da mesma forma cíclica se processa a história da Humanidade. Correntes filosóficas e religiosas revolucionam as consciências e os Estados. Aparecem as guerras, as revoluções e os cataclismos sociais e telúricos. Há períodos de atraso e fases de avanço. E se remontarmos ao passado mais longínquo, revelado pelos Livros Sagrados que a Augusta Fraternidade Branca conserva em segredo – porque em mãos profanas seriam instrumentos de maldade pelo mau emprego dos seus ensinamentos e talvez destruídos, como foram em certa época de nossa história, quando os ocidentais derrocaram monumentos, queimaram, roubaram e esconderam papiros, livros e escrituras antigas, num afã iconoclasta e egoísta que não pode, por mais que se queira, riscar da história, onde ficam como um libelo irrefragável, como um “carma” que pesa inflexivelmente sobre os culpados – verificamos que cada ciclo corresponde à passagem de uma nova constelação do zodíaco pelo ponto vernal, marcando o início da Primavera, a uma era nova bem definida, após um período de sofrimentos.
E cada ciclo desses caracteriza pelo aparecimento de um Grande Ser, um Avatara,como aconteceu com Ram, Krishna e Jesus Cristo.



Publicado originalmente em Dhâranâ n º 136 – Ano XXIII

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"A malícia é a criadora da censura." Henrique José de Souza
"O verdadeiro homem é aquele que não fica radicado nas mesmas idéias." Henrique José de Souza
"A evolução humana jamais se faria se o Verbo se manifestasse proferindo sempre as mesmas palavras." Henrique José de Souza
"É dever do discípulo, por amor e respeito ao próprio Mestre, possuir a maior vigilância dos sentidos para não fazer sofrer aquele que lhe serve de guia na espinhosa vereda da iniciação." Henrique José de Souza
"Não se ensina ou inicia alguém começando pelo fim, e sim, como este nome o diz, pelo começo." Henrique José de Souza
" A crítica, quando despojada de seus aspectos negativos, torna-se a mais poderosa tribuna do aperfeiçoamento." Henrique José de Souza
"Spes messis in semine: A esperança da colheita reside na semente(Lema da Sociedade Brasileira de Eubiose)". Henrique Jose de Souza
"A humanidade é infeliz por ter feito do trabalho um sacrifício e do amor um pecado." Henrique José de Souza
"A verdade não seria reconhecida se não existisse a mentira, nem o amor sem a manifestação do ódio." Henrique José de Souza  
"O homem trazem si mesmo o dínamo gerador de suas dores e alegrias: a mente." Henrique José de Souza
"A verdadeira força não é a do mar em fúria, que tudo destrói, mas do rochedo, impassível, que a tudo resiste." Henrique José de Souza
"O verdadeiro amor jamais se cansa de espalhar o bem onde quer que ele se faça necessário." Henrique José de Souza
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"Um livro tanto pode ser um poderoso auxiliar como um formidável destruidor de tua mente: tem cuidado na sua escolha."   Henrique José de Souza
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