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Ciência e Religião

Quando temos de contrariar os conhecimentos científicos para aceitar preceitos religiosos, por serem traduzidos e transmitidos segundo a rigidez da letra que mata, vivemos em ambiente de ignorância.

 

Ciência e Religião

 

Por Eduardo cícero de Farias

Cada vez mais se afastam de nós os tempos em que os dogmas religiosos não podiam suportar o raciocínio lógico da matemática, a análise das ciências naturais e os argumentos da filosofia. Quando temos de contrariar os conhecimentos científicos que adquirimos, para aceitar preceitos religiosos, que se nos afiguram contrários às ideias das leis naturais, por serem traduzidos e transmitidos segundo a rigidez da letra que mata, não podemos ter confiança nas instruções que nos são assim ministradas e, para que elas sejam aceitas sem discussão nem estudo, seria preciso difundi-las apenas no meio da ignorância.

Ora, a ignorância gera o egoísmo e não pode haver religião que se baseie sobre fundações de tal natureza. A religião não deve recear a ciência para não infringir os direitos da razão, mas ao contrário, deve sempre dar-lhe contas, sendo que, por seu lado, a ciência deve também ser integrada na verdadeira religião, à luz da razão.

Que provas se podem dar a quem nada conhece de um assunto qualquer e que provas podem ser obtidas sem o trabalho de estudar e investigar?

Purusha age através de Prakriti!

Compreendamos, entretanto, que tais investigações só nos sendo permitidas pelas faculdades que possuímos, nos estreitos limites das três dimensões em que vivemos, nada nos é dado conhecer além do grau de sensibilidade dos nossos órgãos próprios a receber as vibrações exteriores.

Os nossos órgãos visuais, por exemplo, embora com a sua sensação ampliada pelos instrumentos mais aperfeiçoados fabricados pelo homem, de acordo com a sua própria estrutura física, só percebem vibrações correspondentes às ondas luminosas; fora dessa escala, seja qual for a vibração do éter, no sentido ascendente ou descendente, é como se não existisse. Mas, porque tais sensações não possam ser captadas por determinado órgão, deixam elas, entretanto, de existir?

Não, certamente. E é no momento em que fazemos tais considerações, que entramos com a razão, para justificarmos investigações, no sentido de serem alcançadas faculdades novas, ou meios outros de provas eficazes.

A ciência moderna é a melhor aliada das teorias que há longo tempo vêm espalhando a Teosofia, embora, até então, em meio evidentemente falho para compreendê-las, mas que vêm evoluindo clara e celeremente.

No século XVIII, a corrente elétrica era considerada um fluido imponderável e especial, dizendo Volta e Faraday que um corpo eletrizado continha em si determinada massa desse fluido. O mesmo Faraday, com Ampére, estabeleceu depois o eletromagnetismo e outros gênios criaram novos capítulos para a ciência elétrica – a eletrodinâmica e a indução elétrica – que já consideravam a ação à distância e, por fim, Maxwell e Hertz nos fazem conhecer o transporte de energia por meio de propagação de ondas eletromagnéticas.

A radiocomunicação diz respeito a vibrações no ambiente etéreo e nos induz considerações filosóficas as mais grandiosas sobre os fatores da natureza. De fato, quem sabe que está, a cada momento, cercado de tais vibrações, que são suscetíveis de serem utilizadas, desde que encontrem aparelhos detectores, transformadores e ampliadores que a técnica moderna já pôs ao alcance de qualquer leigo, não tem mais o direito de duvidar, antes tem o dever de admitir que só não pode receber ou transmitir vibrações mentais, ou quaisquer outras oscilações de ordem elevada, referentes a fatores puramente morais, por desconhecer ainda os dispositivos apropriados para demonstrações de energia irradiante, cujo comprimento de onda possa ser incomensuravel, quer por suas condições infinitesimais, como pelas suas proporções formidáveis. A radiocomunicação nos dá a representação mecânica da transmissão do pensamento à distância.

O pensamento constrói formas que se manifestam em experiências de hipnotismo, nas quais podem ser vistas ou sentidas apenas pela força de vontade que esboça tais imagens mentalmente e à distância. De fato, uma das últimas revistas de assuntos radiotécnicos nos dá a conhecer que no dia 9 de março do corrente ano, o hipnotista Sr. Gerald Fitzgibbons, do Studio de “Broadcasting” WBZ, de Springfield, conseguiu hipnotizar duas pessoas que se achavam na estação WBZA, em Boston.

Uma terceira pessoa, presente na mesma ocasião, não foi influenciada pela ação hipnótica, por não ser a sua presença conhecida do hipnotizador, segundo afirma a mesma revista.

Não nos dá este fenômeno a idéia perfeita de uma estação emissora de rádio, cujas vibrações só são detectadas pela estação receptora que com ela esteja em perfeita sintonia e são incapazes de afetar outra que disponha de condensadores micrométricos de grande seletividade?

O sentido astral, que abrange estas manifestações mentais, considerado como um desdobramento da consciência espiritual está em estado latente em cada um, que para despertá-lo, necessita apenas que em si mesmo se desenvolvam certas faculdades que permitam transportar a consciência para o novo plano.

Adquirindo-as, o homem torna-se sensível a vibrações mais sutis do que as que são suscetíveis de serem reguladas pelos sentidos físicos ordinários.

Os que têm desenvolvidas tais faculdades, não necessitam de provas para admitirem os fenômenos que dizem respeito à quarta dimensão e compreendem que as leis que regem a consciência no plano físico, mesmo as que se referem ao tempo e ao espaço, não são concebidas no astral de maneira análoga.

Até mesmo aí a ciência, posto que rigidamente materialista, já transigiu com as suas teorias sobre o “subconsciente”, considerado até certo tempo com um estado de obnubilação intelectual, uma consciência penumbrosa, anormal, patológica.

A Psiquiatria ainda é uma ciência de verdades transitórias, mas Freud veio traçar novo rumo, estabelecendo o subconsciente, não mais como estado degenerativo da consciência, porém como parte especial na construção do dinamismo psíquico, formando uma ponte estendida para o consciente, isto é, fazendo parte do complexo “pré-consciente” do psiquismo estabelecido por ele, em termos em que só falta a franqueza de confessar a sua coincidência com o princípio astral que entra na formação dos seres.

A Arqueologia, a Paleontologia e a Oceanografia confirmam a teoria das transformações geogênicas, de tal sorte que os fenômenos de que resultam mudanças geológicas podem vir a ser previstos com grande aproximação, embora sem a precisão matemática das revoluções siderais e dos eclipses.

Os grandes progressos científicos, as extraordinárias descobertas que têm assinalado os primeiros decênios do XX século são a confirmação das profecias, que se contêm no trabalho formidável da grande Mestre H. P. B., consubstanciadas na sua obra inigualável, A Doutrina Secreta, base fundamental da Teosofia.

Tudo se vai acomodando perfeitamente aos princípios teosóficos da involução e da evolução, através dos grandes ciclos da Humanidade que, partindo da Espiritualidade, se degrada até o máximo de densidade, donde começa a regressar para religar-se ao Princípio Espiritual donde partiu.

Nos “Primeiros ensinamentos dos Mestres” a dois investigadores ingleses, nos anos de 1881 a 1883[i] já se encontra esplanada a teoria da subdivisão do átomo, transmitida assim em época de tradicionalismo acadêmico que não admitia opinião contrária à do átomo como elemento químico indivisível e indecomponível.

Que sabemos hoje em oposição a isto?

O átomo é um sistema de forças de atividade incessante, um mundo em si mesmo, porque o grande e o pequeno não existem de fato, mas unicamente em relação à unidade que lhes serve de medida.

Na última diferenciação admitida para a matéria, esta é considerada idêntica nos seus elementos. É a teoria da matéria uma, que associada à hipótese já cientificamente aceita, de que a energia radioativa resulta da transformação dos átomos, veio tornar verossímil o princípio da alquimia antiga, que se propunha transmutar certos metais em outros, mediante operações magneto-químicas, em que eram hauridas forças da natureza, vibrações que não conhecemos ainda, mas que certamente provinham de influências astrais.

Os livros sagrados das teorias antigas são o reservatório e o laboratório onde os estudiosos investigadores vão buscar conhecimentos que aumentem a sabedoria, tendendo para auxiliar o progresso humano, na sua trajetória evolutiva, bem entendido, dentro dos limites da sua receptividade.

Ciência e Religião, sob o ponto de vista teosófico, marcham juntas, confundem-se compreendem-se sob um único lema: Sabedoria.

Que felicidade podermos registrar tal homogeneidade!

Aproveitemos o momento e esforcemo-nos para o ideal de transformar a Humanidade numa grande associação de auxílios mútuos; sem concordarmos, entretanto, com essa filantropia mal compreendida, que parece querer despontar, tendendo para o rebaixamento das energias individuais, para que não haja quem exceda seus semelhantes pela conquista de elementos, mesmo materiais, e, principalmente, intelectuais e espirituais.

Os grandes benfeitores da Humanidade são justamente os que criam o trabalho, cultivam a ciência e se desenvolvem espiritualmente, dentro do conhecimento de que “tu és eu e eu sou tu”.

Onde encontrar programa tão idealista?

Em Dhâranâ, nesta sociedade de amor universal, em que se aprende a pôr em atividade faculdades mentais num ambiente harmônico de paz, de luz e de progresso.

Cada Dhâraniano é a expressão de um quociente, isto é, representa uma fração ordinária, cujo numerador é o Bem e o denominador é o Mal. Aperfeiçoando-se pelo trabalho, estudo e desenvolvimento da meditação, consegue reduzir progressivamente o denominador da fração, tendendo para o limite em que este, tornando-se igual a zero, daria à fração um valor igual ao infinito, isto é, corresponderia à identificação do indivíduo com a sua Mentre Criadora.

Publicado em DHÂRANÂ Nºs 21 à 24

 

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[i] Os srs. Hume e Sinnett.

Pensamentos

"A evolução humana jamais se faria se o Verbo se manifestasse proferindo sempre as mesmas palavras." Henrique José de Souza
"A aquisição da Verdade é o mais alto dos ideais humanos." Henrique José de Souza
"Reconstruir é o brado que nos compete! Sim, reconstruir o homem, o pensamento, a moral, os costumes; reconstruir o lar, a escola, o caráter, para que o cérebro se transmude ao lado do coração. Só assim a Humanidade se tornará digna do estado de consciência que é exigido pela Nova Civilização." Henrique José de Souza
"Escola, Teatro e Templo. Eis a trilogia iniciática." Henrique José de Souza
"Toda profissão é sacerdócio ou comércio, segundo seja exercida pelo altruísmo ou pelo egoísmo."   Henrique José de Souza
"Muitas das leis da Natureza são tão simples que a maioria das criaturas não lhes dá a menor atenção." Henrique José de Souza
"Nos números, nos sons e nas cores estão contidos todos os mistérios da manifestação." Henrique José de Souza
"Um livro tanto pode ser um poderoso auxiliar como um formidável destruidor de tua mente: tem cuidado na sua escolha."   Henrique José de Souza
"O verdadeiro homem é aquele que não fica radicado nas mesmas idéias." Henrique José de Souza
"A verdadeira força não é a do mar em fúria, que tudo destrói, mas do rochedo, impassível, que a tudo resiste." Henrique José de Souza
"Vontade, Inteligência e Amor. Para a Eubiose, a harmonia destes três princípios é a base da evolução." Henrique José de Souza
"Um verdadeiro iniciado nos grandes mistérios da vida não interpreta as coisas através da letra que mata, e sim, do espírito que vivifica." Henrique José de Souza
"Spes messis in semine: A esperança da colheita reside na semente(Lema da Sociedade Brasileira de Eubiose)". Henrique Jose de Souza
"O homem trazem si mesmo o dínamo gerador de suas dores e alegrias: a mente." Henrique José de Souza
"Eubiose é a ciência da vida. E, como tal, é aquela que ensina os meios de se viver em harmonia com as Leis da Natureza e, consequentemente, com as Leis Universais, das quais as primeiras se derivam. Henrique José de Souza
"Grande é aquele que deseja instruir-se; maior o que se instrui; porém muito maior, o que oferece seus conhecimentos aos demais." Henrique José de Souza
"É dever do discípulo, por amor e respeito ao próprio Mestre, possuir a maior vigilância dos sentidos para não fazer sofrer aquele que lhe serve de guia na espinhosa vereda da iniciação." Henrique José de Souza
"Eubiose é a ciência da integração do homem com o todo como fator equilibrante." Henrique José de Souza
"Não se ensina ou inicia alguém começando pelo fim, e sim, como este nome o diz, pelo começo." Henrique José de Souza
"A humanidade é infeliz por ter feito do trabalho um sacrifício e do amor um pecado." Henrique José de Souza
" A crítica, quando despojada de seus aspectos negativos, torna-se a mais poderosa tribuna do aperfeiçoamento." Henrique José de Souza
"O verdadeiro amor jamais se cansa de espalhar o bem onde quer que ele se faça necessário." Henrique José de Souza
"A verdade não seria reconhecida se não existisse a mentira, nem o amor sem a manifestação do ódio." Henrique José de Souza  
"A malícia é a criadora da censura." Henrique José de Souza
"O ritmo é ordem, e somente pela ordem tudo se pode alcançar." Henrique José de Souza

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