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Virgens Mães

Todas as religiões possuem as suas Virgens-Mães, as suas Marias ou Maias: Adha-nari, a Indiana; Ísis, a egípcia; Astaroth, a hebraica; Astarté ou Haschtoreth, a síria; Afrodite, a grega; Vesta, a romana; Herta, a germana; Ina, da Oceania, Isa, a japonesa; Ching-mu, a chinesa" etc., etc.

VIRGENS MÃES

 

Henrique José de Souza

 

Todas as religiões possuem as suas Virgens-Mães, as suas Marias ou Maias: Adha-nari, a Indiana; Ísis, a egípcia; Astaroth, a hebraica; Astarté ou Haschtoreth, a síria; Afrodite, a grega; Vesta, a romana; Herta, a germana; Ina, da Oceania, Isa, a japonesa; Ching-mu, a chinesa" etc., etc.

Mesmo entre os nossos tupis havia Jaci, a “mãe dos frutos”, como as outras, relacionada com a Lua.

O nome Maria da tradição Cristã provém de Mare, o mar, simbolicamente, “a grande ilusão”, ou Maia.

Os dois MM entrelaçados que até hoje figuram nas pias de Água benta, não significam porém apenas o nome de Maria, mas também ainda o símbolo do Aquários, signo francamente feminino.

No Africanismo, Amanjá é o nome com que se conhece a “mãe d'água”, que neste caso é a rainha das ondinas ou nereidas" que são os elementais ou “espíritos” das águas. Já as ondinas dos rios e dos lagos, recebem nessa tradição o nome de Xanas.

A mãe de Mercúrio, o Hermes da mitologia grega, foi Maia, nome que também recebeu a de Gotama, o Buda. No Egito, Mut era só, mesmo tempo Mãe e Mulher de Amon, pois, um dos títulos principais deste deus era “marido de sua mãe”.

Tal expressão é de um modo geral interpretada de maneira completamente diversa do seu verdadeiro sentido iniciático, inclusive por sacerdotes de outras religiões. Esquecem-se estes de que unidos ou ligados à sua Igreja, a consideram também como Santa Madre (ou Mãe) Igreja.

A deusa Mut, como as outras, é invocada no Ocidente com o nome de “Nossa Senhora, Rainha do Céu e da Terra”.

As Plêiades, segundo a Mitologia, são sete como as raças-mães de que se

compõe um globo, embora que cad uma delas com as respectivas sete sub-raças, ramos e famílias são chamadas no Panteon hindu, de Krittikas, pois são as “mães, amas ou mamas” do guerreiro Kartikeyax (Maitréia), estando estreitamente ligadas ao transcendental mistério dos “Avataras”. Kartikeya, Maitréia, Mitra-Deva, o Sosioh persa – sempre o “Esperado”, o “Enviado Celeste”. Em grego as Plêiades têm os seguintes nomes: Elektra, Maya(!), Targeta, Alcyone, Selene, Sterope e Merope.

Em sânscrito Amba, Dúla, Nitalni, Abrayanti, Maghavanti, Vershayanti e Chupunika. A Igreja procurou simbolizá-las nas sete semanas da quaresma: Ana, Bagana, Rebeca, Suzana, Lázaro, Ramos e Páscoa. Em forma de verso:

“Ana, Bagana,

Rebeca, Suzana,

Lázaro, Ramos,

Na Páscoa estamos”.

 

Os egípcios acreditavam que o pequeno Horus era filho de Osireth e de Oseth, cujas almas se converteram, respectivamente, nas do Sol e da Lua, depois da morte desses personagens. Astarté, que e a mesma Ísis, era o nome do Lua, adorada na Fenícia sob a figura de uma mulher enfeitada de cornos. A própria Virgem Maria, trazendo um quarto da Lua, ora sobre a cabeça, ora debaixo dos pés não representa outra coisa.

 

Astarté trazia nas mãos um bastão ornado com uma cruz, e chorava, como Ísis, a morte do Sol velho, seu esposo. Não é Maria, quando pranteia seu filho, a “justa crucem lacrymosa dum pendebat filius”, a herdeira de Astarté e de Ísis?

Os hebreus chamavam a rainha dos céus (Regina coeli) de Menia, daí se derivando Neomenia (Lua Nova), que e a mesma Maria moderna, a mãe do deus encarnado dos brâmanes: a mãe Crisna ou Cristen.

Em outra seita bramânica é a Virgem Mãe do Deus Buta, a Virgo dei Genetrix da ladainha de Maria. Frigga, a dama por excelência, a rainha das deusas dos Edas faz-nos lembrar a “Regina Virginum” da mesma ladainha. A Virgem que há de dar à luz – virgem que é ao mesmo tempo mãe ou “Virgoparituri” (Cujo mito deu origem ao dogma da "Maria ser virgem mesmo, depois do parto”), recorda-nos ainda dessa ladainha, os versículos “Mater salvatoris, vas honorabilis".

A “veleda de ouro” das margens do Obi, que trazia uma criança no regaço, é a “Domus aurea”, da ladainha de Maria. Tal origem persiste seja em Adonaia (Vênus) como feminino também de Adonai, ou melhor, o aspecto feminino ou lunar da Divindade, a deusa Lakshmi da mitologia indiana que se assenta à direita do Bodhisatva, seja em Alilot simbolizada pelos árabes no crescente lunar seja em Selene, a irmã-esposa de Helios, o deus solar grego, ou na Magna-Mater (a Grande Mãe, ou “a maior de todas as Marias”, Allamirah ou Baal-Mirah das velhas tradições...), vas honestissimae, purissimae, castissimae, mãe universal de todos os seres, e até na Mater divina gratia causa nostra laetitiae, vos insignis devotionis, mater admirabilis.

Febo no céu, Diana, Gea, Gé, Ceres, Tellus, Letona na terra, e Prosérpina ou Hécate nos Infernos ... Como Diana fosse a deusa da Castidade, não é de estranhar que a ladainha da Diana moderna a complete como “Rainha-virgem” (regina virginum) e se lhe dê o epíteto de “castíssima”, como o fez Gregório I, no começo do século Vll para, reunir o mito judaico ao pagão no ciclo de seu próprio pontificado.

É estéril dar-se, depreciativamente, a tudo o que antecedeu a Jesus o nome de paganismo, quando está provado que o Cristianismo nele, como no Budismo, foi buscar tudo quanto depois apresentaria como seu. O próprio Jesus ao expulsar os vendilhões do templo – que ainda não era, evidentemente, “cristão” – exprobrava-lhes ter feito mercado vil da Casa de seu Pai. Reconhecia pois no referido Templo todo o valor espiritual que até hoje possui qualquer lugar onde, em seu nome, ou de seu Pai, “duas ou mais pessoas estiverern reunidas”

 

 

Publicado originalmente em Dhâranâ 142 a 144 – Abril de 1951

 

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"O ritmo é ordem, e somente pela ordem tudo se pode alcançar." Henrique José de Souza
"Vontade, Inteligência e Amor. Para a Eubiose, a harmonia destes três princípios é a base da evolução." Henrique José de Souza
"É dever do discípulo, por amor e respeito ao próprio Mestre, possuir a maior vigilância dos sentidos para não fazer sofrer aquele que lhe serve de guia na espinhosa vereda da iniciação." Henrique José de Souza
"A verdade não seria reconhecida se não existisse a mentira, nem o amor sem a manifestação do ódio." Henrique José de Souza  
"Um livro tanto pode ser um poderoso auxiliar como um formidável destruidor de tua mente: tem cuidado na sua escolha."   Henrique José de Souza
"Reconstruir é o brado que nos compete! Sim, reconstruir o homem, o pensamento, a moral, os costumes; reconstruir o lar, a escola, o caráter, para que o cérebro se transmude ao lado do coração. Só assim a Humanidade se tornará digna do estado de consciência que é exigido pela Nova Civilização." Henrique José de Souza
"Eubiose é a ciência da vida. E, como tal, é aquela que ensina os meios de se viver em harmonia com as Leis da Natureza e, consequentemente, com as Leis Universais, das quais as primeiras se derivam. Henrique José de Souza
" A crítica, quando despojada de seus aspectos negativos, torna-se a mais poderosa tribuna do aperfeiçoamento." Henrique José de Souza
"Nos números, nos sons e nas cores estão contidos todos os mistérios da manifestação." Henrique José de Souza
"Spes messis in semine: A esperança da colheita reside na semente(Lema da Sociedade Brasileira de Eubiose)". Henrique Jose de Souza
"A aquisição da Verdade é o mais alto dos ideais humanos." Henrique José de Souza
"Muitas das leis da Natureza são tão simples que a maioria das criaturas não lhes dá a menor atenção." Henrique José de Souza
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"Um verdadeiro iniciado nos grandes mistérios da vida não interpreta as coisas através da letra que mata, e sim, do espírito que vivifica." Henrique José de Souza
"O verdadeiro amor jamais se cansa de espalhar o bem onde quer que ele se faça necessário." Henrique José de Souza
"O homem trazem si mesmo o dínamo gerador de suas dores e alegrias: a mente." Henrique José de Souza
"Toda profissão é sacerdócio ou comércio, segundo seja exercida pelo altruísmo ou pelo egoísmo."   Henrique José de Souza
"Grande é aquele que deseja instruir-se; maior o que se instrui; porém muito maior, o que oferece seus conhecimentos aos demais." Henrique José de Souza
"O verdadeiro homem é aquele que não fica radicado nas mesmas idéias." Henrique José de Souza
"A humanidade é infeliz por ter feito do trabalho um sacrifício e do amor um pecado." Henrique José de Souza
"Não se ensina ou inicia alguém começando pelo fim, e sim, como este nome o diz, pelo começo." Henrique José de Souza
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"Eubiose é a ciência da integração do homem com o todo como fator equilibrante." Henrique José de Souza
"A verdadeira força não é a do mar em fúria, que tudo destrói, mas do rochedo, impassível, que a tudo resiste." Henrique José de Souza
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