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Hércules e os Doze Trabalhos - Parte II

Limpeza das cavalariças de Augias, rei da Elida – Achamos logo correlação entre Elida e Helios, e a seguir Augéis, cujo nome, em grego, designa luz, raios de sol etc..

HÉRCULES E OS DOZE TRABALHOS OU A EUBIOSE E AS DOZE CASAS ZODIACAIS


Parte II


por Prof. Henrique José de Souza

 

5. Limpeza  das cavalariças de Augias, rei da Elida – Achamos logo correlação entre Elida e Helios, e a seguir Augéis, cujo nome, em grego, designa luz, raios de sol etc..Consistiu esse trabalho hercúleo em limpar as imundices milenares das estrebarias que simbolizam este baixo mundo das animalidades, para que o sol do espírito pudesse manifestar-se na Terra e propiciar o advento da Satya-Yuga, a Idade de Ouro vaticinada pelos profetas, videntes e pitonisas de todos os tempos. Assim, só assim, poderiam os cavalos do carro de ouro do Sol cavalgar a Terra, conduzido o Senhor da Luz na Mercabah o carro de fogo.


6. O combate contra a Amazona Hipolita – O sexto trabalho de Hércules é um dos maiores enigmas e representa vividamente o mistério da redenção sexual daHumanidade. Jamais foi falado sobre a Terra o significado supremo deste símbolo,nem mesmo pelos grandes Instrutores ou Iniciadores que, de ciclo em ciclo, espalham por entre o gentio de todas as nações as verdades; eternas e seus sentidos remidores. Seria aqui lugar ótimo para desenvolvermos ante o olhar claro de nosso leitorescomentários amargos sobre o panorama abrasado de guerras e delitos sexuais em que – peregrinos punidos pelas contingências cármicas – nos debatemos. Para tanto, não há espaço nem propósito, pois os leitores podem e devem. compreender isso, apenas volvendo para dentro de si mesmos, meditando e achando no seu Cristo interno o mestre que, qual Virgílio para Dante, lhes mostrará o inferno de sua personalidade e a de quantos ganharam a carne como castigo. É melhor, portanto, discorrermos sinteticamente sobre este trabalho, oferecendo aos nossos irmãos em Humanidade, elementos riquíssimos para meditarem e salvarem-se enquanto é tempo.Este trabalho vela o mistério das grandes profântidas que outrora, no segreda dossantuários entreviam, na profética tremulina das chamas de Agni, o destina doshomens e dos povos. Essas mulheres, profântidas, sibilas, pitonisas, mulheresdivinizadas, ao fim, resguardavam nos templos a própria sabedoria representada por Aura-Mazda, pela luz de "Surya", pelo ardor de Osíris e pelo amor infinito de Dionisos, expressões várias porém idênticas do próprio Verbo, que se há de apresentar no fim deste negro ciclo que entenebrece o mundo, quando vier no seu flamívomo cavalo alado, o Avatara do Pais dos Calquis. Elas estavam relacionadas com o nome da própria rainha das Amazonas – Hipólita. É por isso que vemos as amazonas contrapostas heroicamente ao amor humano, em todas as lendas e tradições. Só Hércules,não com sua forca bruta, mas por ser o símbolo vivo do próprio mistério que elascustodiavam, podia vencê-las. Encontramos, perpetuado pelos bardos, nos, cantos nórdicos, o portentoso e iniciático ciclo dos Nibelungos; e nele vemos as mesmas amazonas com o nome de Valquírias, filhas de Votã e da deusa Herda, a Mãe Terra, (Mates-Rhea ou Matéria). as quais tinham o alcandorado destino de acender no peito dos imortais a ânsia ca imortalidade, que se concretizava no heroísmo que os levava a pugnar na eterna liça deste baixo mundo pelo amor ideal de todos os Iluminados – a Fraternidade. Valquírias, Val-Kyrias, (Vale dos Kyres Kurus etc.), Kuretas, Kyrias, são vocábulos prodigiosos radicados ao Kuru sânscrito, os filhos do sol, a raça eleita das tradições com o papel de conservar, a Ciência Secreta de nossos maiores. Dai a origem pretérita de Cures ou Torre, cidade dos sabinos, fundada por Médio Filho o Himeia, seus deuses superiores, e termos outorgados como títulos honoríficos aos chefe das curicas romanas, que recebiam, como símbolo de sua delicada e responsabilíssima função social, uma pequena lança de ferro chamada hasta pura.Essa hasta romana. era uma especie da "Balança da Justiça", que presidia todas as transações jurídicas do direito quiritário (kyris). Por esses étimos constata-se que as Valquírias eram a perfeita representação do eterno feminino que corporifica as aspirações nobres, ou seja, a expressão tradicional da própria Sabedoria, as deusas Ísis, Astarteá, Anat, Semiramis, Minerva, Palas Atenéa etc. A chave sexual deste símbolo faculta a compreensão da constante luta entre o Homem e a Mulher, permanentemente condicionados à ânsia passional, mas realizando o desígnio oculto da evolução: queremos dizer com isto, praticando sua unificação no Filho, que vem a ser o resultado do choque amoroso. Envoltos nas ondas tumultuárias da paixão, o Homem e a Mulher vão, apesar de tudo, evoluindo até chegarem ao dia da "redenção do pedaço original", em que eles, harmônicos entre si, desaparecem no Andrógino, devido ao equilíbrio das propriedades solares e lurares de sua tríplice constituição.

7. A corça Cerinita – Nas montanhas da Arcádia vivia a corça Cerinita, de galhos d'oiro e patas de bronze, consagrada a Artemis pela ninfa Taigeta. Incansável, desafiava todos os caçadores que a perseguiam. Hércules, durante um ano, por montes e vales, perseguiu-a até os Hiperbóreos. Cansada, a corça retornou sobre seus passos para a Arcádia, onde se refugiou no santuário da deusa. Aí Hércules a alcançou mas não a matou em atenção aos rogos de Apoio e sua irmã. A alegoria é clara: a Arcádia, a Arca onde se conservam as sementes de todo ser vivente, ou seja, os mundos divinos das regiões inferiores, é a mesma terra chamada, de Agarta pelos hindus, a Arghya (símbolo da Lua, de onde procedem todos os seres na Terra, e que hoje se esconde aos olhos obscurecidos dos homens, nas Invioláveis cidades subterrâneas. Porisso a corça lunar, já aureolada pelos fulgores do Sol, calca – o bronze atlante – de que eram feitos os seus cascos; e pôde ser consagrada a Artemis, a Deusa da Pura Luz, à Casta Virgem, que em tempo algum conhecera as alegrias do himeneu nem as máculas do amor, representando a própria verdade solar como Taigeta, uma das Plêiades, Mamas ou Amas de Kartikéa, o Salvador segundo a concepção bramânica, ou melhor, o Chefe dos Guerreiros Celestes – o Akdorge das tradições transhimalaias – que virá, cavalgando seu níveo corcel, abrir as portas da cidade de Oiro. Estando acorça Cerinita diretamente ligada à tradição dos atlantes, é patente que Hérculesvence no seu sétimo trabalho, o mistério do antigo povo vermelho, cujas relíquias iniciáticas se encontram custodiadas na verdadeira Cidade Eterna (não só por ser eterna mas por conter em si a própria eternidade) na Agarta, ou Arcádia, onde, dia e noite, fulguram Apolo e Artemis, o Deus do Fogo e a Deusa da Luz, expressões da própria Divindade desdobrada, duplicada na maravilhosa e pulquérrima geminação, para consumar o enorme sacrifício da Criação. Esses deuses tinham (e têm) em Hércules seu próprio rebento ou, para jogarmos com um símbolo conhecido no ocidente, o Verbo feito carne.

8. O touro de Creta – Posseidon, o Senhor das Águas, o Netuno grego, ofereceu a  Minos, Ménes, Manu de Creta, um touro que se tornou furioso porque o rei não o quis oferecer em sacrifício ao deus. Tornou-se o terror da ilha, até que Hércules o capturou e domou. Evidencia-se neste hercúleo trabalho a furta da lei do Touro, dominante na 4a sub-raça atlante, a qual tirou seu nome – Toranica ou Turanica – justamente por Ter vivido sob o influxo do signo zodiacal de Taurus. Essa lei levantou-se, no arrebol da nova raça nascida na Advarsha, o berço dos arias ou Aries, o Carneiro, e dirigida pelo Manu Vaivasvata até as ubérrimas terras de Sapta-Sindhavas. Até aqui o símbolo, agora o seu sentido : em plena raca ariana Hércules subjuga a tradicional magia atlante, representada no furioso touro, o quaternário inferior.

9. A hidra de Lerna – Era filha de Tifon (Tiphaon) e de Ecdna (Echdina). Hórrido dragão de sete cabeças, habitava os pântanos marginais de Argos; seu hálito era peçonha que envenenava todo o país e matava quem o respirasse. A cada cabeça que perdia nasciam-lhe duas. Corresponde, nas teogonias nórdicas, ao dragão Fafner, que guardava os tesouros dos Nibelungos. É o símbolo das forças brutas da Natureza elementar. É a expressão, sintética e medonha, dos monstros apocalípticos da cadeia lunar (antecedente da nossa Terra) ou, mais claramente. os assuras, não-deuses, os deuses sombrios que perpetuamente assediam os que libertar-se buscam dos caucásicos grilhões que os cativam à roda dos nascimentos e das mortes. É, no final das contas a infausta sombra do Mal que se contrapõe à fastigiosa luz do Bem. Tifon e Ecdena tinham na hidra de Lerna o produto legitimo de suas naturezas. Para matá-la Hércules teve o concurso de seu fiel companheiro Iolais. Este agitou contra o animal fatídico o purificador fogo dos archotes acesos nas trípodes dos templos iniciaticos.Iolaos, a lei de Io, a Lua, Ísis, ou a Sabedoria Iniciática das Idades. Só o fogo sagrado da iniciação espanca as trevas da ignorância.

10.As aves do lago Stymphale – O vale de Stymphale, enquadrado entre altasmontanhas, formava uma bacia onde as águas das neves derretidas empoçavam. Nas suas margens viviam as monstruosas aves, guerreiras de Ares (o deus da destruição, na mitologia grega), as quais lançavam suas penas como dardos e talavam os campos cultivados, repastando-se de carne humana. Seja qual fiar a etimologia e a tradução que lhe dêem os mitólogos, para nós, ocultistas, essas são as aves, fálicas que se nutrem da carne sacrificada no carnaval do sexo. (Carnaval ou "Carne-vale").

11.O leão de Némea – Hércules esmaga entre seus robustos braços a fera que apavora os habitantes de Némea. Arranca-lhe a pele para cobrir seu próprio corpo, como símbolo do sol que, no signo zodiacal, está em exaltação e por isso se torna invulnerável cora os despojos do leão, consoante reza a mitologia. Os leões ardentes são os deuses da mais alta hierarquia criadora. Promana deles o hálito vital que anima todas as criaturas e pode espiritualizar os que a eles se chegam. Astrologicamente, o leão é o signo do fogo. Por isso "Dhâranâ", (primitivo nome cie nossa escola iniciática) foi fundada a 10 de agosto, quando as Dez Luzes, as Dez Sefirots se manifestavam em plenitude, porque à S.T.B. .fora incumbido o Trabalho Mor de preparar os homens – todas as raças aglutinadas na Terra do Fogo Sagrado ou Brasil – para que o próprio Hércules, já como Maitri, pudesse vir a manifestar-se no sublime dia em que Ele, Rei do Mundo, surja avante de seu reino subterrânea, à frente de seu povo, como vaticinado foi no mosteiro de Narabanchi-Kure, pelo ínclito ser enviado de Shamballah, tal qual se pode verificar no livro de Ossendowski, traduzido em todas as línguas cultas – “Bêstas, Homens e Deuses".

12.Herakles encadeando Cérbero – Finaliza o rosário cruciático de seus  trabalhos, descendo ao sombrio Tártaro e encadeando Cérbero, o cão de três cabeças guardião dos reinos inferiores, para mostrar que na finalização dos "ciclos da necessidade" todos os homens, já osirificados habitarão a Terra Interdita. Motivo porque a fraternidade de Kaleb (cão, em árabe), no deserto líbico, situaria aos 23º de latitude norte, tem por emblema o cão que resplandece em Sirius. Um dos mais prodigiosos períodos egípcios – o ano sótico - era marcado por Sirius.A fraternidade de Kaleb, aos 23º de latitude norte, trópico de Câncer, já o dissemos várias vezes e o repetimos agora, é uma das mais veneradas pela Grande Fraternidade Branca, porque dela, nos dolorosos dias em que magos negros prepararam a múmia de Katsbeth (da hoje redimida princesa atlante Kalibet), saíram os dirigentes da missão em que trabalhamos – Henrique e Helena – ou Pitis e Alef, como então eram chamados na linguagem mística. Prepararam-se lá para operar nos planos oculto e histórico, até virem, após lutas cruentas, estabelecer aos 23º de latitude sul esta gloriosa obra redentora.Capricórnio – o trópico em que atualmente viceja a Árvore da Sabedoria – está ligado ao profundo mistério dos Kumaras, os deuses que deram o mental ao gênero humano. Tendo a raça ariana desenvolvido, como lhe competia, o máximo progresso mental, é claro que a apoteose da obra dos Kumaras deveria ser ultimada pela dos "Gêmeos Espirituais", na Terra Prometida.Conseguintemente, a lei da Causalidade exigiu que o Brasil fosse descoberto porquem através de seu nome apontasse a representação histórica e oculta dos Kumaras: Cabral.


Publicado originalmente em Dhâranâ nº 13 e 14– Janeiro a Junho de 1960


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Pensamentos

"A humanidade é infeliz por ter feito do trabalho um sacrifício e do amor um pecado." Henrique José de Souza
"É dever do discípulo, por amor e respeito ao próprio Mestre, possuir a maior vigilância dos sentidos para não fazer sofrer aquele que lhe serve de guia na espinhosa vereda da iniciação." Henrique José de Souza
"Não se ensina ou inicia alguém começando pelo fim, e sim, como este nome o diz, pelo começo." Henrique José de Souza
"O verdadeiro homem é aquele que não fica radicado nas mesmas idéias." Henrique José de Souza
"O verdadeiro amor jamais se cansa de espalhar o bem onde quer que ele se faça necessário." Henrique José de Souza
"A verdadeira força não é a do mar em fúria, que tudo destrói, mas do rochedo, impassível, que a tudo resiste." Henrique José de Souza
"Um verdadeiro iniciado nos grandes mistérios da vida não interpreta as coisas através da letra que mata, e sim, do espírito que vivifica." Henrique José de Souza
"A malícia é a criadora da censura." Henrique José de Souza
"O homem trazem si mesmo o dínamo gerador de suas dores e alegrias: a mente." Henrique José de Souza
" A crítica, quando despojada de seus aspectos negativos, torna-se a mais poderosa tribuna do aperfeiçoamento." Henrique José de Souza
"O ritmo é ordem, e somente pela ordem tudo se pode alcançar." Henrique José de Souza
"Vontade, Inteligência e Amor. Para a Eubiose, a harmonia destes três princípios é a base da evolução." Henrique José de Souza
"Eubiose é a ciência da vida. E, como tal, é aquela que ensina os meios de se viver em harmonia com as Leis da Natureza e, consequentemente, com as Leis Universais, das quais as primeiras se derivam. Henrique José de Souza
"Grande é aquele que deseja instruir-se; maior o que se instrui; porém muito maior, o que oferece seus conhecimentos aos demais." Henrique José de Souza
"A evolução humana jamais se faria se o Verbo se manifestasse proferindo sempre as mesmas palavras." Henrique José de Souza
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"Reconstruir é o brado que nos compete! Sim, reconstruir o homem, o pensamento, a moral, os costumes; reconstruir o lar, a escola, o caráter, para que o cérebro se transmude ao lado do coração. Só assim a Humanidade se tornará digna do estado de consciência que é exigido pela Nova Civilização." Henrique José de Souza
"Um livro tanto pode ser um poderoso auxiliar como um formidável destruidor de tua mente: tem cuidado na sua escolha."   Henrique José de Souza
"A aquisição da Verdade é o mais alto dos ideais humanos." Henrique José de Souza
"Muitas das leis da Natureza são tão simples que a maioria das criaturas não lhes dá a menor atenção." Henrique José de Souza
"Toda profissão é sacerdócio ou comércio, segundo seja exercida pelo altruísmo ou pelo egoísmo."   Henrique José de Souza
"Nos números, nos sons e nas cores estão contidos todos os mistérios da manifestação." Henrique José de Souza
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